domingo, 21 de maio de 2017

Esplendor e gáudio dos bem-aventurados no Céu segundo Santos e Doutores

Coroação de Nossa Senhora no Céeu.
Fra Angelico, Galeriadegli Uffizi, Florença.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Um dogma de nossa Fé – o Céu e a felicidade eterna –, cuja importância torna-se patente, é, no entanto pouco conhecido pelos fiéis e, de modo geral, insuficientemente explanado.

Explica-se, pois, que, às vezes, ouçam-se frases como esta:

“O Céu deve ser um local sem animação (a qual, na mentalidade do homem moderno, é com­ponente indispensável da felicidade), onde todos fi­cam eternamente parados, sentados em nuvens, ouvindo as infindáveis melodias dos coros angélicos...”

Essa distorcida noção do que seja a bem-aventurança celeste – infelizmente não rara até entre católicos–, revela uma ignorância crassa a res­peito do prêmio que Deus reserva a seus eleitos, e da própria natu­reza divina.

Todos os católicos bem formados devem desejar ardentemente alcançar o Céu e tê-lo sempre presente em suas cogitações.

Especialmente em nossos dias, em que a civilização neopagã contemporânea tende para o oposto, em que os modos de ser, as manifestações de pseudo-cultura e pseu­do-arte – a moderna e a pós­moderna – pendem para o horrível, o monstruoso... e, no fim desse processo, para o diabólico!

Exagero... pensará algum leitor. Para convencê-lo do contrário, basta lembrar um indício significativo: os temas cada vez mais frequentes na música o rock'n'roll são o inferno e Satanás.

Falando da glória dos santos no Céu, São João Crisóstomo diz que o último dos eleitos possui no Céu um esplendor e uma glória maiores que os manifestados por Jesus Cristo em sua transfiguração, pois, no Tabor,

Ele amenizou tal glória e esplendor para adequá-los à vista de seus três Apóstolos, São Pedro, São Tiago e São João.

Por outro lado, os olhos corporais não podem suportar um brilho que os olhos da alma podem agüentar perfeitamente. Logo, os Apóstolos não viam senão a glória exterior, enquanto no Céu veremos ao mesmo tempo a glória exterior e interior de Deus e de cada um dos eleitos.

Santa Teresa conta que, certo dia, o Divino Redentor mostrou-lhe sua mão glorificada. Para dar-nos uma ideia do esplendor desta mão, estabeleceu ela a seguinte comparação:

“Imaginai, diz a Santa, um rio muito límpido, cujas águas correm tranqüilamente por um leito do mais puro cristal. Imaginai ainda, quinhentos mil sóis tão ou mais brilhantes que o Sol que ilumina a Terra.

“Figurai-os reunindo neste rio todos os seus raios refletidos pelo cristal sobre o qual o rio corre.

“Pois bem, esta luz deslumbrante não é senão uma noite escura, comparada com o esplendor da mão de Jesus Cristo”.

Santa Teresa refere-se apenas, à mão de nosso Salvador. Qual não será, pois, a luz e o brilho que emitem sua humanidade e sua divindade reunidas!

Juntai ao esplendor do Filho, o do Pai e o do Espírito Santo, o da Mãe de Deus, o dos coros dos Anjos, dos Patriarcas e o dos Profetas, o dos Apóstolos e dos mártires, dos confessores e das virgens e o de todos os santos, e tereis uma ideia do que é a glória celeste.

“Os bem-aventurados – observa Santo Agostinho – veem a Deus e sempre desejam vê-Lo, tão agradável é esta visão. E neste deleite descansam cheios de Deus.

“Nunca se afastando da bem-aventurança, são felizes. Contemplando sem cessar a eternidade, são eternos.Unidos à verdadeira luz, convertem-se também em luz.

“Ó bem-aventurada visão mediante a qual se contempla em toda sua beleza o Rei dos Anjos, o Santo dos Santos, a quem todos devem a existência” (De Anima et Spiritu).

E São Bernardo, meditando a felicidade celeste, exclama:

“Lá veremos o brilho da glória, o esplendor dos Santos, a majestade de um poder verdadeiramente real; conheceremos o poder do Pai, a sabedoria do Filho, a bondade infinita do Espírito Santo.

“Ó bem-aventurada visão, que consiste em ver a Deus em si em si mesmo em vê-Lo em nós, e em ver-nos n’Ele com uma feliz alegria e com uma inefável felicidade” (In I Medit., c. IV).

Os eleitos são iluminados pelo esplendor de Deus e pelo seu próprio esplendor que é o reflexo do de Deus.

O Criador, o eterno sol de Justiça, enche o Céu e os seus eleitos com o divino brilho.

Os santos são como outros tantos sóis submersos nos raios do sol supremo do qual recebem todo o seu brilho, ao mesmo tempo que cada um deles participa também do esplendor de todos os seus companheiros.

“No Céu, diz Santo Agostinho, não haverá ciúmes que provenham da desigualdade de amor. Todos se amam da mesma maneira.

“O Céu, acrescenta, será testemunha de um belíssimo espetáculo: nenhum inferior invejará a sorte dos que estiverem acima dele, como no corpo humano o dedo não tem ciúme do olho, nem os ouvidos da língua, nem os pés da cabeça”.

Um pequeno vaso cheio de líquido está tão repleto como um grande. Uma fonte cujas águas transbordam, está tão cheia quanto o mar.

Assim sucede com os eleitos. Deus está igualmente em todos. Porém, aquele que tiver acumulado mais, não dinheiro, mas fé, terá mais capacidade relativamente a Deus.

Tal caridade une perfeitamente os eleitos entre si: o bem que um eleito não recebe diretamente, ganha-o, de certo modo, pela felicidade que experimenta, vendo-o recebido por outro.

Ficam tão satisfeitos com o bem que cabe a seus companheiros, como se fosse o próprio bem.

E acrescenta Santo Agostinho:

“Uma terna mãe alegra-se com as carícias que fazem a seu filho querido, considera-as como se as concedessem a ela própria. Da mesma forma, cada um dos eleitos estima como feitos a si mesmo os bens que Deus oferece a seus companheiros de bem-aventurança”.

“Felicidade inefável a dos eleitos!

“O que cada eleito quiser, seja quanto a si mesmo, seja em relação a seus companheiros, ou ao próprio Deus, imediatamente se verificará.

“Existe outro reino comparável na Terra? Todos juntos com Deus serão reis, constituindo como que um só rei, como um só poder.

“Vi – diz São João no Apocalipse (7, 9) – uma multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, de todas as tribos, de todos os povos e de todos os idiomas.

“Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro portando vestimentas brancas com palmas na mão”. 

Estas palmas significavam a vitória. Aos vencedores concedem-se honras reais.

Os eleitos verão a face de Deus. Seu nome estará escrito sobre suas frontes. Reinarão por todos os séculos dos séculos.

Gozarão constantemente da visão de Deus, como seus amigos e íntimos. Diante do Criador serão mais príncipes e reis do que servidores.

“Ó Senhor, exclama Santo Agostinho, quão glorioso será vosso reino, onde todos os Santos reinam convosco, revestidos de luz como de um manto e tendo sobre suas cabeças uma coroa de pedras preciosas!

“O reino da eterna bem-aventurança, onde sois, Senhor, a esperança dos Santos e o diadema de sua glória!” (Solilóquios, C. XXXV).

(Fonte: Tesoros de Cornélio a Lapide. Extratos dos comentários deste autor sobre as Sagradas Escrituras feitos pelo Padre Barbier. tradução da 2ª edição francesa. 2ª edição espanhola. Vich, Madri, 1882, pp. 226 e ss.)



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domingo, 7 de maio de 2017

São Miguel Arcanjo: Príncipe da Milícia celeste, poderoso escudo contra a ação diabólica

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Comemora-se a 29 de setembro a festa do glorioso São Miguel, cuja invicta combatividade em defesa do Deus onipotente é assim descrita no Apocalipse:

“Houve uma batalha no Céu: Miguel e os seus Anjos guerrearam contra o Dragão.

“O Dragão batalhou, juntamente com os seus Anjos, mas foi derrotado e não se encontrou mais um lugar para eles no Céu” (Apoc. 12, 7-8).

A devoção ao Príncipe das Milícias Celestes atingiu um desenvolvimento extraordinário na Idade Média. Essa forma de devoção marca ainda todas as modalidades de culto ao chefe das legiões angélicas.

Entre os inúmeros santuários a ele dedicados destaca-se o do Monte Saint-Michel uma das maravilhas do mundo.

Entretanto, ele já era reverenciado no Antigo Testamento.

O Profeta Daniel refere-se a São Miguel nos seguintes termos:

“Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande Príncipe, constituído defensor dos filhos do seu povo [isto é, o povo fiel católico, herdeiro, no Novo Testamento, do povo de Israel], e será tempo de angústia como jamais houve” (Dan. 12, 1).

São Miguel é comumente designado como Arcanjo.

Entretanto, tal qualificação pode ser genérica e não significar que ele pertença ao oitavo coro de Anjos (os Arcanjos).

A esse respeito, merece ser reproduzida significativa citação do grande exegeta jesuíta Pe. Cornélio A Lapide, nascido em Bocholt, província belga de Limburgo, em 1567, e falecido em Roma, a 11 de março de 1637.

A extensa obra desse insigne autor, que comentou todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, é até hoje universalmente admirada.

Merecem especial destaque a grande erudição, a escrupulosa diligência e o luminoso engenho com que ele trata da Sagrada Escritura.

Embora num ou noutro ponto do texto bíblico tenham surgido novas questões, é incontestável que seus magníficos comentários e eruditas citações ainda hoje gozam de autoridade.

Eis suas palavras:

“Muitos julgam que Miguel, tanto pela dignidade de natureza, como de graça e de glória é absolutamente o primeiro e o Príncipe de todos os anjos.

São Miguel, catedral de Bruxelas.
“E isso se prova, primeiro, pelo Apocalipse (12, 7), onde se diz que Miguel lutou contra Lúcifer e seus anjos, resistindo à sua soberba com o brado cheio de humildade: ‘Quem (é) como Deus?’

“Portanto, assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel o é dos anjos, sendo o primeiro entre os Serafins.

“Segundo, porque a Igreja o chama de Príncipe da Milícia Celeste, que está posto à entrada do Paraíso.

“E é em seu nome que se celebra a festa de todos os anjos.

“Terceiro, porque Miguel é hoje cultuado como o protetor da Igreja como outrora o foi da Sinagoga.

“Finalmente, em quarto lugar, prova-se que São Miguel é o Príncipe de todos os anjos, e por isso o primeiro entre os Serafins, porque o diz São Basílio na Homilia De Angelis:

“‘A ti, ó Miguel, general dos espíritos celestes, que por honra e dignidade estais posto à frente de todos os outros espíritos celestiais, a ti suplico...’”


(fonte: Cornélio A Lapide, Commentaria in Scripturam Sacram, t 13, pp. 112-114. Apud "Catolicismo", setembro de 2000).



Cânticos gregorianos para São Miguel Arcanjo:

Introito “Benedicite Domino"

Laudate Deo omnes Angeli

Stetit angelus (Alleluia)

Benedicite omnes angeli (Comunhão)


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domingo, 23 de abril de 2017

Nossa Senhora de Aquisgrão (Aachen):
rainha soberana de uma calma completa


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Eis aí uma imagem propriamente lindíssima!

Nela o que mais me chama a atenção, não e tanto o belo vestido, ou a excelente escultura, mas sobretudo o estado temperamental que o artista sobre imprimir em Nossa Senhora.

Apresenta-se Ela como uma pessoa respeitável, no mais alto grau. É propriamente uma Rainha.

Mas ao mesmo tempo, sendo Ela é uma Soberana, sente-se n'Ela toda a bondade de uma mãe.

Não só pelo modo de carregar no braço o Menino Deus, mas no modo pelo qual Ela parece olhar para a pessoa que está apresentando a Ela uma súplica.

Tal olhar manifesta uma tal boa vontade, benevolência e uma disposição de atender, que impressiona da forma mais agradável.

Nessa imagem, Nossa Senhora apresenta algo do sério da idade madura mas também se nota qualquer coisa ainda de moça.

É interessante considerar tal equilíbrio das duas idades, reunindo-se num momento da vida de nossa Rainha, em que Ela manifesta, ao mesmo tempo, os atrativos de uma e de outra etapa.

Por outro lado, é preciso considerar a calma externada na imagem.

Uma calma completa, serena, de quem não vive correndo de um lado para outro, de quem – poder-se-ia dizer – nunca andou, de automóvel, nunca viajou de avião, jamais assistiu televisão ou usou telefone.

É uma pessoa cujos nervos estão completamente desengajados do corre-corre do século XX.


(Autor: Plínio Corrêa de Oliveira, "Catolicismo", janeiro de 1998)


Vídeo: Em Aquisgrão (Aachen): o relacionamento entre Nossa Senhora e o imperador Carlos Magno





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domingo, 9 de abril de 2017

O jogral da Virgem


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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política internacional,
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Muitos peregrinos, vindos dos mais remotos confins da Cristandade, iam à romaria do Santuário de Nossa Senhora de Rocamadour.

Ele continua ali perto da auto-estrada que vai de Paris até Lourdes.

Na Idade Média ia gente de toda espécie, desde mendigos ou empestados até fidalgos e grandes dignitários da Igreja.

Frequentemente misturavam-se àquela turba alguns indivíduos aloucados, galhofeiros ou poetas, que tanto entoavam uma canção, acompanhando-a com qualquer instrumento, como embasbacavam o povo com malabarismos e trabalhos de saltimbancos.

Singlar era um desses. Jovem, espalhafatoso, tagarela, mas de caráter doce, excelente no uso dos instrumentos musicais e dulcíssimo no cantar.

Alto poeta, encontrava sempre, no momento exato, a palavra mais viva, mais colorida e musical para dizer as coisas.

Além disso, era devoto fiel da Virgem, e por isso fora a Rocamadour.

Rezou diante da imagem. Sabia, porém, que jamais poderia, com orações, dizer-lhe os sentimentos que transbordavam de seu coração.

Uma canção subia-lhe à flor dos lábios, e as pontas de seus dedos formigavam nervosamente, desejosos do instrumento.

Não pôde conter-se: apanhou o alaúde e cantou uma loa suave e ingênua.

O jogral estava emocionado, enlevado, e prostrou-se diante da imagem. Nela, os olhos e as pedrarias do traje fulguravam.

— Senhora — disse-lhe o cantor — estais vendo que eu canto para vós com todo o meu coração. Desejaria saber se meus louvores são recebidos com agrado.

O santuário estava cheio de gente, naquele momento. Todas as pessoas puderam ver um dos círios, saindo do candelabro em que estava colocado, descer até junto do poeta.

Houve um coro de exclamações. Gente corria de todos os cantos, para colocar-se ao lado do jovem:

— Milagre! Milagre!

Depressa chegou a notícia à clausura dos monges, que desceram todos para a igreja.

Os demais ajoelharam-se, confundidos com o povo que elevava fervorosas preces a Nossa Senhora.

Fazendo aquele prodígio, como prêmio ao canto ingênuo e sincero de um simples jogral, acabava Ela de dar a toda aquela gente uma lição de humildade.

Só um homem permanecia em pé. Fez caminho entre os que estavam ajoelhados, e colocando-se diante do jogral, disse, em voz muito alta:

— Não vos deixeis enganar! Aqui não houve milagre! Acreditais que a Rainha dos Céus desperdiçaria suas graças numa tolice como esta?

Levantai-vos! Não houve milagre, e sim mistificação deste velhaco, ou talvez sortilégio, arte do diabo.

Primeiro os monges, depois os peregrinos, foram pondo-se todos de pé, e depois afastando-se cautelosamente, um pouco encabulados, como que tomados de vergonha.

Muitos procuravam lugar atrás das colunas ou em algum canto pouco iluminado. Entretanto, ninguém saiu do templo.

Por sua vez, Singlar ali continuava, ajoelhado diante da Virgem.

Na frente dele, repreendendo-o, um monge tornara a colocar o círio no candelabro.

Os pescoços esticavam-se, gente se punha em pontas de pés.

Todos os olhos estavam fixos no jogral, que pela segunda vez tirava notas dulcíssimas do alaúde e tornava a improvisar um cântico de louvor.

O círio tornou a descer para junto do poeta.

Gritos atroadores do monge retiveram a meio caminho as pessoas que se apressavam para o altar:

— Não vos aproximeis! Isto é obra de bruxaria! Este homem é um mágico que veio afrontar Nossa Senhora! Tem pacto com Satanás!

Em vão Singlar negava, os olhos cheios de lágrimas:

— Senhora, não me abandoneis!

O monge tinha apanhado o círio, e retinha-o com força entre as mãos, enquanto dizia:

— Estrela Matutina, Torre de Davi, Mãe do Salvador, não permitas que ante tua imagem o inferno possa agir como deseja!

A canção de Singlar entrava como alfinetadas de gozo no coração de todos. Subia, retilínea, pura, clara, até a Virgem de Rocamador...

O círio deu um salto, e das mãos do monge foi ter à mão direita do jogral.

Mesmo aquele monge tombou de joelhos.

Um "Ave!" espontâneo, vibrante, maravilhoso, brotou de todas as gargantas.


(Maravilhas do conto popular - Cultrix, SP, 1960)


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