domingo, 22 de abril de 2018

“Oh luz da bem-aventurada Trindade”:
hino de Santo Ambrósio

Santo Ambrósio, Vitale di Bologna
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 4/4/397), mestre de Santo Agostinho(340-397), é um dos quatro máximos Padres da Igreja.

Ele está assim representado na Basílica de São Pedro em Roma.

Grande combatente contra a heresia do arrianismo, o corpo do Doutor se conserva incorrupto na basílica a ele dedicada em Milão.

Entre os múltiplos frutos do apostolado do sábio e heroico arcebispo conta-se ter resolvido um dilema que ameaçava dividir os cristãos de seu tempo.

Com efeito, a Igreja após séculos de perseguições romanas, recuperou a liberdade para o culto, enquanto que os templos pagãos foram fechados pelo célebre e insigne Edito de Milão, do imperador Constantino, em 313.

O miolo da discussão era saber se fosse lícito cantar nas igrejas.

Alguns observavam que na hora de compor os cânticos, os músicos apelavam para ritmos e melodias também usadas pelos pagãos.

De ali, julgavam que com esses cânticos acabava se reproduzindo o ambiente dos templos pagãos.

Outros apontavam que cantar orações ou textos como os dos Salmos não poderiam fazer mal ainda que com ressonâncias idolátricas.

Santo Ambrósio soube equilibrar o problema e forneceu a solução. Ele aprovava enfaticamente o uso da música e do canto nas igrejas, mas reprovava também fortemente o emprego de melodias ou ritmos inspirados nos pagãos.

Anjo músico, Beato Angêlico
Ele próprio compôs um gênero de música ‒ o Canto Ambrosiano ‒ que foi precursor do Gregoriano.

Além do mais redigiu famosos hinos cantados até hoje, como o insuperável Te Deum, que teria sido composto numa conversa com o jovem Santo Agostinho. A conversa entre os dois foi se elevando até virar canto e hino: assim nasceu o Te Deum.

Santo Ambrósio compôs muitos outros hinos, como os famosos “Deus creator omnium” e “Aeterne rerum Conditior”.

“Dizem que eu alicio o povo com os hinos?”, perguntava o santo arcebispo.

E respondia com grandiosa afirmatividade:

‒ “Não nego que essa seja uma sedução. O que há de mais comovedor que a confissão da fé na Ssma. Trindade repetida diariamente pela boca de todo o povo, quando as vozes da multidão de homens, mulheres e crianças, subindo e descendo se elevam com um estrépito semelhante aos grandes vagalhões do mar que se entre-chocam e arrebentam?”.

Entre os hinos a ele atribuídos consta também “O lux beata trinitas”, cujo texto reproduzimos a seguir em latim ‒ a língua do santo e da Igreja‒ e sua tradução para o português.

No vídeo abaixo, ouvimos o mesmo hino acompanhado de fotos ilustrativas da catedral de Segovia, Espanha.


Santo Ambrósio
O Lux beata Trinitas:
Oh luz da bem-aventurada Trindade:
Et principalis Unitas:
Unidade fundamental:
Jam sol recedit igneus,
Que ofusca o fogo do próprio sol
Infunde lumen cordibus.
Enche de luz os corações.

Te mane laudum carmine,
A Vós eleva-se nosso cântico matutino,
Te praedicamus vespere;

A Vós se volta nossa oração vespertina;
Te nostra supplex gloria
Que nossa glorificação suplicante;
Per cuncta laudet saecula.
Vos louve pelos séculos dos séculos

Deo Patri sit gloria,
A Deus Pai seja dada a glória,
eiusque soli Filio,
E a seu filho Unigênito,
cum Spiritu Paraclito,
Ao Espírito Santo Paráclito,
et nunc, et in perpetuum.
Agora e para sempre.

(Repete:)
O Lux beata Trinitas:
Oh luz da bem-aventurada Trindade:
Et principalis Unitas:
Unidade fundamental:
Jam sol recedit igneus,
Que ofusca o fogo do próprio sol
Infunde lumen cordibus.
Enche de luz os corações.



Vídeo: 'O lux beata Trinitas' (Santo Ambrósio)





GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 8 de abril de 2018

A Mulher do Apocalipse e o simbolismo da lua sob os pés de Nossa Senhora


Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Nossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja (= Ecclesia) aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga (cfr. Dayton University, Mary Page).

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O Gradual Katharinenthal de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Ecclesia (=Igreja) nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua (por exemplo, na escultura de Trier, 1480. VER VIDEO EMBAIXO).

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinenthal, 1312).

A lua crescente também é usada nas representações da conceição milagrosa de Maria e de seu nascimento (São Joaquim e Sant’Ana na Porta Dourada, Camerino, Tadino, ~ 1470).

A lua crescente aparece acalcada sob os pés de Maria em pinturas da Assunção (Meister de Luzien-Legende, 1485) e significa a sua glória e vitória sobre o tempo e o espaço.

A aplicação mais importante do símbolo da lua ocorreu nas representações da Imaculada Conceição.

A importância óbvia da vitória sobre o pecado é enriquecida com as idéias de beleza e pureza. “Pulchra ut luna”, “bela como a Lua” recita o Ofício Parvo; ou também na Ladainha Lauretana (por exemplo, Francesco Vanni, Altar da Imaculada Conceição, Montalcino, 1588).

Durante a época barroca, é freqüente encontrar a Imaculada representada como Nossa Senhora da Vitória, contra os turcos ou contra os protestantes e, em geral, contra as forças do mal a serviço do Anticristo e de seus asseclas na História.

(Fonte: Dayton University, Mary Page)

Video: A mulher do Apocalipse: capela de Nossa Senhora na Catedral de Trier, Alemanha

Se seu email não visualiza corretamente o vídeo embaixo CLIQUE AQUI




GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Páscoa da Ressurreição. Albacete, Espanha.
Quando as cidades eram pouco ruidosas, ouvia-se o bimbalhar dos sinos ao meio- dia.

Comemorava-se a Ressurreição.

Nas ruas, os moleques malhavam bonecos de Judas.

Aleluia cantava-se por toda parte.

As pessoas cumprimentavam-se, distribuíam ovos de Páscoa.

As igrejas enchiam-se, a liturgia apresentava enorme pompa.

A dor do Calvário cedia ante a imensa alegria da Páscoa.

A alegria verdadeira, que não é filha do vício, mas fruto abençoado da virtude.

Quando Deus volta a sua Face para os homens, tudo se torna fácil, suave, alegre, brilhante.

Pelo contrário, quando Ele desvia sua Face, os homens atraem épocas de castigo.

É como o sol que desaparece.

Em que estado estamos nós, o mundo todo?

Ó Senhor Jesus, voltai para nós a vossa Face divina e olhai-nos com bondade.

Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Ressurreição, composição gráfica. Imagem de Albacete, Espanha
Nesse momento a graça há de nos iluminar, e sentir-nos-emos outros.

Que pelos méritos de vossa Ressurreição se congreguem os bons.

Que o Divino Espírito Santo lhes comunique força e valor para derrotar os inimigos da vossa Igreja.

Que Ele renove as almas, restaure as instituições, as nações e a Civilização Cristã.

Nós Vo-lo pedimos por meio de Nossa Senhora, Medianeira Onipotente e Co-redentora do gênero humano.


Vídeo: Domingo de Ressurreição em Cartagena (Espanha)





GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 11 de março de 2018

Comentário ao “Vinde Espírito Santo”

Pentecostes. Iluminura da coleção da
University of Califórnia - Berkeley, UCB 059
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Em post anterior -- O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas -- reproduzimos alguns dados históricos da famosa “seqüência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes.

Será sempre útil um comentário sobre o valor e a utilidade dessa oração. É o que reproduzimos a continuação.

O bom espírito, o espírito reto, o senso católico é um dom de Deus. Não é uma coisa que o homem encontre com o mero exercício de sua inteligência, mas é algo que sua inteligência encontra movida e vivificada por um dom interno de Deus, que procede do Divino Espírito Santo.

Razão pela qual os homens pedem a Deus o espírito reto por meio da oração, com muita insistência, empenho e humildade, persuadidos que sem um dom celeste, não conseguirão.

Todo bom movimento da alma visando a virtude sobrenatural nos vem da graça de Deus, e essa graça é preciso pedi-la.

Não podemos ter a presunção de que o mero exercício de nossa inteligência é suficiente. Então, pedimos: “Vinde, Espírito Santo”.

Nós temos de pedir que o Divino Espírito Santo venha a habitar dentro de nossa alma com uma intensidade e com uma plenitude cada vez maior,.

Pela habitação do Espírito Santo, nosso espírito se torna capaz dos grandes pensamentos, volições, generosidades, percepções, resoluções, que sem o Espírito Santo é absolutamente impossível praticar.

A alma batizada é um templo onde está permanentemente o Espírito Santo. Quando o Anjo disse a Nossa Senhora que Ela era cheia de graça, disse que Ela era um vaso de eleição que transbordava do Espírito Santo.

A alma de todo santo transborda do Espírito Santo. Nela acaba não havendo a não ser Ele.

Pentecostes, iluminura da Spencer Collection Ms 152
Então, o “Veni Sancte Spiritus” pede um dom excelente: "Enchei os corações de vossos fiéis".

Seguido de um outro pedido: “E neles acendei o fogo de vosso amor”.

É o pedido de que o Divino Espírito acenda em nós o fogo do amor de Deus, das coisas sobrenaturais, da apetência pela boa doutrina, pela virtude, pela generosidade, a luta e a contemplação.

O Espírito Santo é a chama que acende esse pavio que somos nós.

Quantas pessoas ficam desoladas e dizem: “Faço esforços, medito, mas não tomo amor às coisas católicas! A minha alma parece uma alma árida e seca, um deserto sem água...”

Por que isto? É porque está esperando essas qualidades de si própria. Não devo esperar de si, mas da graça de Deus.

Devo pedir, se não tenho. Peço porque não tenho. E, se tenho, peço para ter mais. Nunca na vida se deve deixar de pedir essa moção interna de Deus na alma.

Depois, o hino insiste na idéia de: “Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado”.

Todo o espírito de sensualidade e de orgulho, que são o fundo do oposto, do espírito da Revolução, é estraçalhado quando Deus envia seu Espírito.

O Espírito Santo acende o espírito de humildade, de hierarquia, de pureza.

Um sopro do Divino Espírito Santo pode acabar completamente com o mal no mundo, quer dizer a Revolução. A Revolução é fundamentalmente um espírito mau. Desde que o Divino Espírito Santo tenha pena de nós e que queira agir, Ele pode acabar com a Revolução.

Esse pensamento aparece novamente na oração: “Deus, que pela ilustração do Espírito Santo ensinastes os corações dos fiéis, concedei-nos ‒ e aqui está a coisa importante ‒ saborear no mesmo Espírito as coisas retas e gozar sempre de vossa consolação”.

Se há uma coisa que o mundo de hoje perdeu é o sabor das coisas retas. O mundo de hoje só acha sabor na imoralidade, na agitação, na desordem, na subversão de todos os valores.

Pentecostes. Iluminura da coleção Pryce MS C1
Numa cidade como São Paulo, o que é que se está fazendo neste momento?

Vai-se longe o tempo em que os homens encontravam distração, entretenimento, atrativo, estabilidade de alma na consideração das coisas retas.

As coisas retas hoje são tidas como insípidas. O mundo não compreende a delícia das coisas retas, e sobretudo daquelas mais altas que nos levam para o Céu, que nos dirigem para Deus.

Esse sabor das coisas retas, do que é honesto, direito, é o Divino Espírito Santo que nos dá, e devemos pedir que seja restaurado em nós.

Uma relação entre isso e Nossa Senhora:

Ela é a Esposa do Divino Espírito Santo. E como Esposa perfeitíssima e fidelíssima, o Espírito Santo encontra n’Ela a plenitude de sua complacência, e a Ela não recusa coisa alguma.

Por causa disso, Ela é nossa Medianeira seguríssima junto ao Espírito Santo.

Se queremos alguma coisa do Espírito Santo, devemos pedir por meio d’Ela.

Então, pedir a Nossa Senhora especialmente o sabor das coisas retas, elevadas, sublimes, daquilo que na Terra nos fala do Céu e nós da o horror e a aridez para com as coisas que são de outra natureza.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 12/3/66. Sem revisão do autor)

Clique para ouvir (Coro da TFP americana)

Eis o texto em latim (como é cantado em gregoriano) e em português:

1. Veni Sancte Spiritus, et emitte cælitus, lucis tuæ radium.
1. Vinde, Espírito Santo, e enviai do céu um raio de Vossa luz.

2. Veni pater pauperum, veni dator munerum, veni lumen cordium.
2. Vinde, pai dos pobres, vinde dispensador dos dons, vinde luz dos corações.

3. Consolator optime, dulcis hospes animæ, dulce refrigerium.
3. Consolador por excelência, hóspede da alma, nosso doce refrigério.

4. In labore requies, in æstu temperies, infletu solatium.
4. No trabalho, sois repouso; no ardor, sois calma; no pranto, consolo.

5. O lux beatissima, reple cordis intima, tuorum fidelium.
5. Ó luz beatíssima, penetrai até o fundo do coração dos que vos são fiéis.

6. Sine tuo numine, nihil est in homine, nihil est innoxium.
6. Sem vossa graça, nada há no homem, nada que não lhe seja nocivo.

7. Lava quod est sordidum, rega quod est aridum, sana quod est saucium.
7. Lavai o que é impuro, fecundai o que é estéril, ao que está ferido curai.

8. Flecte quod est rigidum, fove quod est frigidum, rege quod est devium.
8. Dobrai o rígido, aquecei o que é frio e o que se extraviou, guiai.

9. Da tuis fidelibus, in te confidentibus, sacrum septenarium.
9. Dai aos que vos são fiéis e em vós confiam, os sete dons sagrados.

10. Da virtutis meritum, da salutis exitum, da perenne gaudium. Amen.
10. Dai-lhes o mérito da virtude, a salvação no termo da vida, a eterna felicidade.



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS