domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes, a festa do Divino e a paz das nações

Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Espírito Santo, bordado das dominicanas de Stone, Staffordshire
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A Festa do Divino Espírito Santo, ou a festa do Divino é uma das devoções mais antigas e difundidas no Brasil e alhures.

A origem se encontra no Portugal do século XIV. As primeiras notícias de sua instituição remontam a 1321.

O convento franciscano de Alenquer começou a celebrá-la sob a proteção da rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

A Rainha prometeu ao Divino Espírito Santo peregrinar com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo.

Nessa peregrinação arrecadaria donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com seu filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono.

O pedido foi ouvido, a paz foi feita e a festa vem sendo renovada todo ano até hoje.

Na época medieval os Estados e os chefes de Estado, fossem eles monarcas, presidentes de repúblicas aristocráticas, burguesas ou populares faziam questão de promover a religião e os bons costumes.

Eles mesmos, enquanto chefes oficiais do país, praticavam a religião católica, participavam e até promoviam ativamente as devoções.

A Festa do Divino Espírito Santo acontecia no dia de Pentecostes, quer dizer cinquenta dias após a Páscoa.

Ela comemora a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e discípulos presentes no Cenáculo para celebrar a Missa.
“8. descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.” (Atos, 1, 8)

“1. Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.

“2. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.

“3. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles.

“4. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” (Atos 2, 1-4)

Segundo tradição largamente aceita e promovida pela Igreja, Nossa Senhora estava também no Cenáculo, mas no recinto reservado às mulheres segundo o antigo costume judaico.

O Espírito Santo desceu com forma de línguas de fogo.

Segundo a tradição largamente assente desceu primeiro sobre Nossa Senhora e dEla se comunicou aos Apóstolos e aos discípulos.

Por isso na iconografia medieval é comum encontrar a imagem de Nossa Senhora sob o marco da porta que separava o recinto dos homens do das mulheres recebendo o Espírito Santo.

Porém, mais frequentemente ainda encontra-se Nossa Senhora no centro e os Apóstolos em volta dEla na hora de receber o Espírito Santo.

Os festejos do Divino são marcados pela esperança da promessa de Cristo de que o Espírito Santo viria e renovaria todas as coisas.

De fato, esse colossal evento foi o início da pregação da Igreja, da conversão dos povos e da evangelização que deve continuar até o fim dos tempos.

A grande devoção de comemorar a descida do Espírito Santo chegou ao Brasil nas primeiras décadas de colonização.

Hoje, a festa do Divino pode ser encontrada em praticamente todas as regiões do país, do Rio Grande do Sul ao Amapá.

Ela apresenta características diversas em cada local.

Mas mantém em comum os elementos sobrenaturais e os símbolos próprios como a pomba, símbolo do Espírito Santo, e a santa coroa dos reis católicos.

A coroação de imperadores nada tinha a ver com a investidura laica e seca dos chefes de Estado atual.

A Igreja Católica os coroava numa cerimônia religiosa e investia reis e imperadores de graças e dons sobrenaturais para exercer bem sua missão de governo, praticando as virtudes de um cristão exemplar.

A coroação mais antiga e mais carregada de simbolismo era a dos reis da França na basílica de Nossa Senhora em Reims.

Quando Clóvis, primeiro rei francês, foi batizado e coroado por São Remígio, uma pomba branca desceu do céu trazendo em seu bico uma ampola com um óleo misterioso, considerado santo. Com esse óleo foram ungidos todos os reis da França.

A conversão de Clóvis e sua coroação teve alguma analogia com Pentecostes.

O povo todo se converteu e os francos passaram a ser o braço armado da Igreja protegendo os pregadores que levavam o Evangelho aos demais povos da Europa, até então pagãos.

Por tudo isso a França foi chamada “filha primogênita da Igreja”.



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domingo, 6 de maio de 2018

São Tomás de Aquino e o hino Pange Lingua:
“Canta ó língua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso”

Santo Tomás de Aquino, detalhe de um estandarte bordado. Igreja de São Domingos, Newcastle, Inglaterra.
Luis Dufaur
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Santo Tomás de Aquino (Rocca Secca, 1225/1227 – Fossa Nuova, 7 Março, 1274) tinha uma vocação eminentemente filosófica, e não de atividade externa.

Ele percebeu que deveria, de acordo com a sua luz primordial, dedicar-se à Teologia e à Filosofia.

Mas além da capacidade para esses estudos, sentia certa inclinação artística.

Quem quiser disto se certificar, basta ouvir o hino Pange lingua, que contém as estrofes do Tantum ergo, composto por ele.

Ele percebia sem dúvida que sua vocação não era a artística – a de compor hinos sacros ou grandes poesias, para as quais estava capacitado –, mas a de se dedicar completamente à Filosofia e à Teologia.

E isso se entende.

O homem tem dois impulsos fundamentais – que os franceses chamam de “élans”.

Por um lado, ele deseja o maravilhoso, porque no católico vive um sonho que não é uma fantasia nem mera poesia.

Trata-se de uma visão das coisas movida pela Fé.

A virtude teologal da Fé impulsiona o voo da alma desejosa de atingir esse sonho maravilhoso.

É, portanto, algo que põe em movimento os melhores aspectos da alma.

Por outro lado, o homem vê que nosso vale de lágrimas, embora contenha maravilhas, não é maravilhoso.

Não é o Paraíso.

Pelo contrário, é uma terra de exílio.

Então, o homem procura se acomodar ao mundo e às coisas como são na realidade, recorrendo ao bom senso.

Porque o bom senso procura ver a realidade ao pé da letra como ela é, mas sem renunciar ao maravilhoso que a alma procura.

Assim sendo, quando a alma católica tem esses dois impulsos bem ordenados, ela consegue resolver superiormente com bom senso os problemas concretos, porque está inspirada no maravilhoso.

E quando se apresenta a ela um problema maravilhoso, ela voa sem ter nostalgia da realidade mais baixa.

Essa excelência da alma se vê no caso citado de São Tomás.

Ele era chamado de “boi mudo” porque era plácido, calmo, terra-a-terra.

Porém, nessa calma de boi brotavam voos de águia.

E essa perfeição pode se apalpar no hino “Pange língua” que ele escreveu:

“Canta ó lingua, o glorioso mistério do Corpo e do Sangue precioso...”, etc.

O “Pange língua” revela um amor de Deus cogente, que pega, que segura, que agarra, que invade a alma. E é uma obra do “boi mudo”!

Porventura há algo mais simples que as palavras desse hino “Tantum ergo sacramentum venerémur cérnui...” (“Portanto veneremos inclinados um tão grande sacramento”)?

Em verdade, qualquer devota idosa com achaques reumáticos sabe disso ao fazer sua penosa genuflexão diante do Santíssimo Sacramento exposto.

Mas como a frase contém a grandeza do Sacramento que é preciso venerar!

Quantas profundidades se exprimem nessa simplicidade!

Porque São Tomás atingiu o fundo da simplicidade e teve um pensamento riquíssimo, estabelecendo um veículo perfeito da simplicidade com o pensamento riquíssimo.



Vídeo: Ouça o hino Pange Lingua





Numa outra interpretação:





(Comentários: Plinio Corrêa de Oliveira, 13/5/88, excerto sem revisão do autor)


MILAGRES EUCARÍSTICOS - VEJA MAIS EM:




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domingo, 22 de abril de 2018

“Oh luz da bem-aventurada Trindade”:
hino de Santo Ambrósio

Santo Ambrósio, Vitale di Bologna
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Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (337 – 4/4/397), mestre de Santo Agostinho(340-397), é um dos quatro máximos Padres da Igreja.

Ele está assim representado na Basílica de São Pedro em Roma.

Grande combatente contra a heresia do arrianismo, o corpo do Doutor se conserva incorrupto na basílica a ele dedicada em Milão.

Entre os múltiplos frutos do apostolado do sábio e heroico arcebispo conta-se ter resolvido um dilema que ameaçava dividir os cristãos de seu tempo.

Com efeito, a Igreja após séculos de perseguições romanas, recuperou a liberdade para o culto, enquanto que os templos pagãos foram fechados pelo célebre e insigne Edito de Milão, do imperador Constantino, em 313.

O miolo da discussão era saber se fosse lícito cantar nas igrejas.

Alguns observavam que na hora de compor os cânticos, os músicos apelavam para ritmos e melodias também usadas pelos pagãos.

De ali, julgavam que com esses cânticos acabava se reproduzindo o ambiente dos templos pagãos.

Outros apontavam que cantar orações ou textos como os dos Salmos não poderiam fazer mal ainda que com ressonâncias idolátricas.

domingo, 8 de abril de 2018

A Mulher do Apocalipse e o simbolismo da lua sob os pés de Nossa Senhora


Luis Dufaur
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Nossa Senhora levando o Menino Jesus é símbolo da Igreja. A Igreja (= Ecclesia) aparece em pé sobre a lua minguante para sublinhar que seus fundamentos são o Antigo Testamento. Sem dúvida, é também um símbolo da vitória da Igreja sobre a Sinagoga (cfr. Dayton University, Mary Page).

Na iconografia, Nossa Senhora passou a representar também a Igreja herdando seus atributos. O Gradual Katharinenthal de 1312 apresenta uma imagem de transição, onde a mesma figura feminina contém ou têm os atributos simultaneamente da Igreja, de Maria e da Mulher do Apocalipse.

As primeiras representações da Ecclesia (=Igreja) nos séculos X-XII a apresentam como a mulher apocalíptica enfrentando o dragão. O motivo da mulher apocalíptica é aplicado em uma variedade de formas a Maria.

Por volta de 1348 espalhou-se um tipo de escultura mariana chamada Madonna que pisa a lua crescente (Mondsichel-Madonna), onde a representação da mulher do Apocalipse dispensa o uso do símbolo da lua (por exemplo, na escultura de Trier, 1480. VER VIDEO EMBAIXO).

Por vezes, como por exemplo nas representações do Platytera (ícone que pinta a Nossa Senhora orante), faz-se a oposição do sol (o Salvador) que nasce de Maria de um lado, e da raça humana que precisa de salvação (lua) de outro (Katharinenthal, 1312).

sábado, 31 de março de 2018

Domingo de Páscoa: Ressurreição triunfal de Nosso Senhor. Que venha o triunfo da Igreja!

Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta. Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
Cristo ressurrecto, basílica dos Santos Pedro e Paulo, Malta.
Fundo: rosácea catedral de Chartres, França.
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Assim que a alma de Nosso Senhor voltou ao corpo, Ele apareceu a Nossa Senhora.

Como terá sido esse encontro?

Ele pode ter aparecido como Senhor esplendoroso,

Rei, como nunca ninguém foi nem será rei.

Ou, com um sorriso que lembrava o primeiro olhar no presépio de Belém.

O que Ele comunicou a Ela?

O que Nossa Senhora terá dito, vendo-O e amando-O perfeitamente?

Foi o primeiro louvor que Jesus recebeu após a Ressurreição, feito em nome da Igreja toda.

domingo, 11 de março de 2018

Comentário ao “Vinde Espírito Santo”

Pentecostes. Iluminura da coleção da
University of Califórnia - Berkeley, UCB 059
Luis Dufaur
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Em post anterior -- O hino "Vinde, Espírito Santo": quando reis disputavam em piedade com cardeais e Papas -- reproduzimos alguns dados históricos da famosa “seqüência” (um tipo de hino) “Veni Sancte Spiritus” (“Vinde, Espírito Santo”) cantada na festa de Pentecostes.

Será sempre útil um comentário sobre o valor e a utilidade dessa oração. É o que reproduzimos a continuação.

O bom espírito, o espírito reto, o senso católico é um dom de Deus. Não é uma coisa que o homem encontre com o mero exercício de sua inteligência, mas é algo que sua inteligência encontra movida e vivificada por um dom interno de Deus, que procede do Divino Espírito Santo.

Razão pela qual os homens pedem a Deus o espírito reto por meio da oração, com muita insistência, empenho e humildade, persuadidos que sem um dom celeste, não conseguirão.

Todo bom movimento da alma visando a virtude sobrenatural nos vem da graça de Deus, e essa graça é preciso pedi-la.

Não podemos ter a presunção de que o mero exercício de nossa inteligência é suficiente. Então, pedimos: “Vinde, Espírito Santo”.

Nós temos de pedir que o Divino Espírito Santo venha a habitar dentro de nossa alma com uma intensidade e com uma plenitude cada vez maior,.

Pela habitação do Espírito Santo, nosso espírito se torna capaz dos grandes pensamentos, volições, generosidades, percepções, resoluções, que sem o Espírito Santo é absolutamente impossível praticar.

A alma batizada é um templo onde está permanentemente o Espírito Santo. Quando o Anjo disse a Nossa Senhora que Ela era cheia de graça, disse que Ela era um vaso de eleição que transbordava do Espírito Santo.

A alma de todo santo transborda do Espírito Santo. Nela acaba não havendo a não ser Ele.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ave mundi spes Maria ‒ Ave Maria esperança do mundo

Mãe do Bom Conselho de Genazzano
Mãe do Bom Conselho de Genazzano
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O “gregoriano” é o canto oficial da Igreja. Foi compilado, organizado e regulamentado pelo Papa São Gregório Magno (540-604). (Mais em: Gregoriano).

Desde então, há mais de 1.400 anos vem sendo cantado em catedrais, igrejas e mosteiros católicos.

Canta-se em latim.

É um canto de uma só voz, sem acompanhamento, que exprime cuidadosamente o significado profundo das palavras, transmitindo uma alegria serena que sobe diretamente ao Céu; um recolhimento que exclui todas as coisas da Terra, sem agitação nem folia, dizendo com toda naturalidade o que tem a dizer.

Em cada uma das palavras cantadas está contida uma catedral de significados e imponderáveis. Cada palavra reflete a ordem do universo como uma catedral sonora.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Quarta-feira de Cinzas, o demônio no Carnaval e a penitência que não é pregada nas igrejas "modernas"

Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'. Na catedral São José em Hyderabad, India.
Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'.
Na catedral São José em Hyderabad, India.
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A cerimônia de quarta-feira de Cinzas dá início ao período litúrgico denominado Quaresma.

O nome Quaresma indica os quarenta dias antes da Páscoa de Ressurreição (sem contar os domingos) ou quarenta e seis dias (contando os domingos).

São 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!

domingo, 28 de janeiro de 2018

Anima Christi: uma oração dificilmente superável

Origem
Luis Dufaur
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Esta famosa oração apareceu na primeira metade do século XIV e foi enriquecida com indulgências pelo Papa João XXII em 1330.

Não se tem certeza sobre a autoria, tal vez seja do próprio João XXII.

Entretanto, é geralmente atribuída a Santo Inácio de Loyola (1491-1556, muito posteior) pois o grande santo colocava-a sempre no início de seus “Exercícios Espirituais” e referia-se com freqüência a ela.

O texto mais antigo foi achado no British Museum de Londres datado de 1370.

Em Avignon, França, conserva-se um livo de orações do Cardeal Pedro de Luxemburgo falecido em 1387. Nele encontra-se o Anima Christi na forma que o rezamos hoje.

Esta oração era tão famosa no tempo de Santo Inácio que o santo a citava como sendo conhecida por todos. Cfr. verbete ANIMA CHRISTI, na Enciclopedia Católica (em inglês)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Procissão do Preciosíssimo Sangue,
em Weingarten, Alemanha

O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
Luis Dufaur
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Todo ano se realiza a Blutritt [Procissão do Preciosíssimo Sangue].

É uma procissão a cavalo, em honra de uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Acontece na cidade de Weingarten, Baden-Württenberg, Alemanha, na 6ª feira após a Ascensão, ou Blutfreitag [Sexta-feira do Sangue].

A tradição manda que só os homens participem.

A Abadia de Weingarten conserva, há mais de 950 anos, uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela é exposta uma vez ao ano na igreja do Mosteiro.

No dia da festa, um sacerdote ou ‘Cavaleiro do Sangue’ a leva pelas ruas da cidade.

É acompanhado por três mil cavalarianos, pertencentes a mais de cem grupos, em fraque e cartola.

Uma banda de 80 componentes desloca-se em torno ao Cavaleiro do Sangue.

A procissão é religiosa e civil. Romeiros de toda a Suábia Superior e da Baviera vêm à festa.

Esse Sangue foi colhido por São Longino após a cura de seu olho.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Por que se celebra a noite de Natal com a “Missa do Galo”?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Nossa Senhora de Riom e o sorriso medieval

Luis Dufaur
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Pode-se dizer que cada século ou era histórica tem um rosto ou uma expressão fisionômica e de alma que o diferencia dos demais.

E a Idade Média, na sua longa duração e na sua riquíssima variedade de eventos nunca perdeu um traço distintivo. E esse foi o sorriso.

E um sorriso leve e espiritual que só a Idade Média foi capaz de fazer e comunicar.

E nos difícil ver essa atitude de alma em nossos tempos.

Entretanto, ela ficou impresa em inúmeros testemunhos medievais.

Um desses é a estátua de “La Vierge à l’Oiseau” (Nossa Senhora com o Menino Jesus e Este com um pequeno pássaro), no exterior da igreja Nossa Senhora de Marthuret, em Riom (França).



“A primeira impressão que causa essa imagem é da relação de alma extraordinária entre os dois (o Menino Jesus e Nossa Senhora), de maneira tal que mais do que fotografar só uma alma, se fotografa as duas.

O que está extraordinariamente bem apanhado na escultura, é esta relação de alma entre os dois.

Relação de alma que tem isso de extraordinário que pega um desses momentos de familiaridade entre Mãe e Filho, em que a mãe brinca um pouquinho com o filho e este brinca um pouco com a mãe.

Sem o que a relação mãe e filho não pode ser compreendida.

Se ela nunca desfechasse num sorriso e numa brincadeira, não seria possível haver relação mãe-filho.

Por que razão?

Porque o Menino tem qualquer coisa de débil que faz sorrir a Mãe.

Mas, por outro lado, a debilidade dEle pede que a Mãe apareça, para estar na proporção dEle, de vez em quando sorrindo.

domingo, 19 de novembro de 2017

São Remígio e o bispo pecador

São Remígio com o rei Clóvis
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Muito tempo depois, Guénebauld, homem de grande prudência, que tinha casado com a sobrinha de São Remi, de acordo com a mulher, decidiram separar suas vidas para entrar em religião.

Guénebauld foi sagrado bispo de Laon por São Remi.

Porém, como Guénebauld permitia que sua mulher o visitasse com muita frequência para receber dele ensinamentos, nesses encontros seu espírito deixou-se inflamar pela concupiscência e os dois caíram no pecado.

domingo, 5 de novembro de 2017

Milagres de São Remígio na conversão da França

São Remi, basílica de Reims
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O nome Remígio vem de remi que significa apaziguando e gios, terra, no sentido de apaziguando os habitantes da terra.

Também pode se dizer que Remígio vem de remi, pasto, e gyon combate, quer dizer o pastor que combate.

Ele nutriu seu rebanho com a palavra de pregação, com o exemplo da conversão e com os sufrágios de sua oração.

Há três tipos de armas: as defensivas como o escudo, as ofensivas como a espada e as protetoras como a couraça ou o elmo.

Ele lutou, pois contra o diabo com o escudo da fé, a espada da palavra de Deus e a armadura da esperança.

Sua vida foi escrita por Hincmar, arcebispo de Reims.

A nascença de Remi, doutor ilustre e confessor glorioso do Senhor, foi predita por um ermitão, da maneira seguinte:

Os vândalos devastavam toda a França, e um santo recluso e cego elevava frequentes prezes ao Senhor pela paz da Igreja francesa, quando um anjo lhe apareceu e disse:

“Sabei que a mulher chamada Cilinie dará a luz um filho de nome Remi; ele libertará seu país da incursão dos ruins”.