terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Quarta-feira de Cinzas, o demônio no Carnaval e a penitência que não é pregada nas igrejas "modernas"

Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'. Na catedral São José em Hyderabad, India.
Quarta-feira de Cinzas, o sacerdote reza 'Lembrate que és pó, e pó te hás de tornar'.
Na catedral São José em Hyderabad, India.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A cerimônia de quarta-feira de Cinzas dá início ao período litúrgico denominado Quaresma.

O nome Quaresma indica os quarenta dias antes da Páscoa de Ressurreição (sem contar os domingos) ou quarenta e seis dias (contando os domingos).

São 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!


Os dias são quarenta imitando o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo que foi ao deserto para jejuar essa quantidade de dias antes de entrar na vida pública.

Tentação na montanha, Duccio di Buoninsegna (1255-1319), Frick Collection, New York.jpg
Tentação na montanha, Duccio di Buoninsegna (1255-1319), Frick Collection, New York
No fim da quarentena, Satanás foi tenta-Lo segundo narra o Evangelho de São Mateus:

“1. Em seguida, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio.

2. Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.

3. O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães.

4. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3).

5. O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe:

6. Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s).

7. Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16).

8. O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe:

9. Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares.

10. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13).

11. Em seguida, o demônio o deixou, e os anjos aproximaram-se dele para servi-lo.” (São Mateus, 4, 1-11).

As cinzas que os católicos recebem neste dia simbolizam o dever da conversão, do arrependimento dos pecados, da penitência, lembrando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana, que vai se encerrar com a morte.

As Cinzas provenientes da queima das palmas do Domingo de Ramos anterior.
As cinzas procedem da queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior conservadas piedosamente nos lares como um sacramental.

Nesse dia, a Igreja Católica lembra aos homens que são mortais. O sacerdote faz o sinal da Cruz na testa de cada fiel com essas cinzas. Normalmente eles as conservam na testa até o pôr do sol.

Enquanto aplica as cinzas, o padre pronuncia uma fórmula que se encontra no Gênese e contém as palavras de Deus a Adão após esse ter cometido o pecado original e ter ficado submetido à morte: Lembrate que “és pó, e pó te hás de tornar” (Gênesis 3, 19)

O gesto divino inspirou o simbolismo da antiga tradição bíblica de jogar cinzas sobre a cabeça como sinal de arrependimento perante Deus. É um dia de jejum e abstinência e ocorre um dia após o Carnaval.



Podemos entretanto fazer uma reflexão aplicada aos nossos dias



Um pai de santo responde sobre a intensificação dos recursos ao demônio e bruxaria no Carnaval.
O demônio é pai da mentira e seus "sacerdotes" também. Porém às vezes podem ser obrigados a confessar a verdade.
Recomendamos muita prudência na visualização deste vídeo, invocando a Nossa Senhora com uma Ave Maria ou uma jaculatória e o Sinal da Cruz pelo menos.

Se seu email não visualizar corretamente CLIQUE AQUI

O Pe. exorcista português Duarte Sousa Laara explica do ponto de vista católico como pode acontecer essa infestação ou possessão diabólica:



Mais em EXORCISMO E EXORCISTAS

Nessa quarta-feira sagrada qual será a atmosfera de uma megalópole como São Paulo, após um Carnaval em que o tema mais presente foi o demônio?

Não diferirá sensivelmente da miserável atmosfera dos dias de carnaval. Essa é a realidade.

Alguém ousará perguntar se os pecadores serão menos numerosos do que na Idade Média, ou nas épocas felizes em que essa cerimônia se foi constituindo?

De modo nenhum. O número de pecadores terá crescido imensamente.

Ainda pior, uma maioria da população dominadora, depreciativa, estará olhando com desdém o homem que vive segundo a lei de Deus.

Em tantíssimas igrejas nas quais penetrou a confusão pós-conciliar, o que vai se passar? Qual será a atmosfera?

Como será é tratado o pecado? Será incriminado?

Que ajuda darão essas igrejas ao pecador que cai em si mesmo e se arrepende do mal que fez?

Nada!

Tudo parece intencionado para passar a ideia de que se pode continuar no pecado sugerindo que a ofensa a Deus não tem importância.

Isso já se vê nos domingos quando a igreja está cheia.

As roupas respeitam as leis do pudor, da dignidade?

Na hora da Comunhão em que vai ser distribuído o Pão dos Anjos, toda a Igreja se aproxima para comungar. Serão anjos? É o caso de perguntar: a serem anjos, que anjos?

Todos recebem na mão a Partícula, para depois A por na boca. Comungam e voltam para casa e re-encetar a sua vida de pecado.

As cidades babilônicas estão constituídas sobre a negação da gravidade do pecado.

Se fosse só a negação, ainda seria pouco: é a inversão. A virtude é desprezada, ridicularizada, perseguida; o pecado não é apenas admitido, ele é glorificado. .

Cidades enormes onde as igrejas representam uma unidade física pequena, cidades tristemente orgulhosas e dominadoras por suas riquezas, ou cidades opressas pela miséria de alguns de seus bairros pobres.

Cerimônias penitenciais na Quaresma. Adoração da Santa Cruz na Inglaterra.
Cerimônias penitenciais na Quaresma. Adoração da Santa Cruz na Inglaterra.
Numas e outras se cogita pouco de Deus.

A liturgia da Quarta-feira de Cinzas se foi constituindo, como grande parte da liturgia, na Idade Média.

Alguma coisa ainda se acrescentou nos primeiros séculos dos tempos modernos.

Pensemos numa cidade medieval como aparecem nas pinturas, nas iluminuras, nos pergaminhos que as representam. Cidades pequeninas, ruas estreitas, dentro de muralhas circunscritas, casas apoiadas umas nas outras...

Essas cidades viviam em torno da Igreja. A gente olha a pintura, e vê uma seta enorme, é uma torre, são duas torres, é o campanário da igreja. Em volta dela está a cidade.

Às vezes vários campanários, de várias igrejas, abadias e conventos. Em torno deles se agrupa a população.

Não são os grandes edifícios de cento e tantos andares feitos em honra de Mamon, o deus-dinheiro, para o homem possa gozar os favores de Bios, o deus da carne.

Não! São os prédios feitos para o culto de Deus.

O que se passa dentro da Igreja é fato central na vida da cidade.

Para ela afluia toda a população, e até os pecadores públicos que sabiam o que é a quarta-feira de Cinzas.

Sabiam que começou a Quaresma, quer dizer os 40 dias de penitência e de jejum, e de arrependimento para preparar os homens para as cerimônias da morte sagrada de Nosso Senhor Jesus Cristo e sua gloriosa Ressurreição!

O pecador público é o homem que comete pecados notórios na cidade.

Procissão penitencial em Sevilha na Semana Santa.
Procissão penitencial em Sevilha na Semana Santa.
Um homem que roubou e foi visto se locupletando com o dinheiro das vítimas. Outro homem que blasfemou em público contra Deus e contra a Igreja, e continuou a blasfemar o ano inteiro.

Ou então, um outro homem ou uma outra família que à vista de todos deixou de comparecer às Missas.

Esses que estão pública e notoriamente em estado de pecado são pecadores públicos.

Na Idade Média, a opinião achava-os altamente censuráveis. O homem reto não convive com o pecador. Mantém um trato distante e frio, porque ele é inimigo de Deus, logo, ele é inimigo de cada homem, enquanto não faça penitência.

Esses pecadores compareciam à cerimônia porque achavam que andavam mal pecando. Pesava-lhes pecar e tinham vergonha do pecado cometido.

Mas não havia só pecadores públicos.

Havia aquele que cometeu pecados durante o ano, que os confessou bem ou mal, ou que não confessou.

Seu pecado ninguém conhece, mas Deus sabe. E ele está ali na hora da penitência pedindo o perdão para todos seus pecados.

Os sinos estão tocando, os pecadores públicos e privados olham para igreja que se ergue imponente mas acolhedora, lhes dizendo: “Vinde filhos. Vós pecastes, mas vinde para onde o perdão vos vem. Começai por confessar-vos, começai por arrepender-vos”.

Deus se toma a Si próprio infinitamente a sério; e Ele acompanha as ações dos homens com essa seriedade.

O pecado é profundamente sério. É execrável, é gravíssimo!

Um ricaço que cometeu um só pecado está numa situação incomparavelmente pior do que Jó no seu monturo.

O pecador pode ser punido por Deus de uma hora para outra, com penas nesta vida, desgraças inopinadas podem desabar sobre ele.

Como tudo isso é trágico!

O inferno ou o purgatório o aguardam. Uma mentira, um pecado leve: ele vai para o purgatório onde poderá ficar anos queimando.


Vídeo: Cântico dos salmos da hora Completas, Ofício Parvo de Nossa Senhora




E o inferno? As trevas eternas onde o fogo queima e não ilumina, onde os piores tormentos atazanam continuamente a criatura, e não tem mais remédio, está tudo perdido!

Então o pecador tem a noção viva do mal que ele fez, e teme. E por causa disso ele vai na igreja, pede perdão e quer fazer penitência.

O que é essa penitência, o que é esse perdão? São coisas distintas.

A Igreja não pratica confissão pública. O fiel não vai dizer diante dos outros o mal que ele fez. Mas Igreja o estimula a que ele tenha a noção da gravidade do seu pecado.

Deus, em lugar de exterminar o pecador, cochicha no ouvido dele o modo para pedir perdão!

É como um juiz que recebe o réu com uma majestade infinita, com aparato de força e de severidade tremendos, mas ao mesmo tempo manda alguém entregar ao réu um bilhete que diz: “Se pedires ao juiz assim na sinceridade de tua alma, o juiz te atenderá!”

E o réu caminha para Deus Juiz com oração ditada pelo mesmo Deus Juiz!

Maior misericórdia não se pode imaginar. Deus fala por meio dos profetas do Antigo Testamento, Ele dá palavras por onde o homem reconhece o seu pecado, e pede perdão.

Então, do fundo da Igreja, se arrastando, vem o mísero cortejo dos pecadores oficiais entoando o Salmo 50:

Frade dominicano rezando
Frade dominicano rezando
“Tende compaixão de mim ó Deus, segundo a Vossa grande misericórdia; e segundo a multitude de Vossas bondades, apagai a minha falta. Porque eu conheço o mal que eu fiz, o meu pecado está de pé continuamente contra mim”...

Eles rezam pedindo perdão alentados pela oração que o Juiz lhe ensinou. “Reze assim! Meu filho, sinta isto, que eu me tornarei teu amigo!”

A penitência é jejuar, passar a pão e água, fazer coisas duras como forma de expiação.

Quando o pecador compreende o mal de seu pecado, e vê quanto Deus odeia o seu pecado, ele percebe a pureza de Deus. E percebendo a pureza infinita de Deus, como pode ele não se entusiasmar?

Na quarta-feira de Cinzas devemos pedir o horror aos nossos pecados e o amor reverente transido pela execração que Deus tem aos nossos pecados.

Devemos pedir a Deus o ódio ao nosso pecado. Devemos pedir a Deus que nos conceda a misericórdia, sem a qual nós na presença dEle não somos capazes de nos manter.

Assim nós nos aproximamos da misericórdia.

O fecho do que eu estou dizendo, tem um nome, e esse nome é Maria!

O homem não obtém nada disso se Maria Santíssima não pedir por ele. Nada.

Por vontade de Deus, Ela é a Medianeira necessária de todas as nossas orações até Ele, e de todas as graças que baixam dEle para nós.

Se nós temos arrependimento de nossos pecados, foi Ela que pediu.

Se nós temos vontade de fazer penitência, foi Ela que pediu.

Se nós tivermos força para executar a penitência que devemos, é Ela que nos pedirá essa força.

No fim, feita a penitência, nós nos sentiremos reconciliados com Deus.

Ela é o sorriso de Deus para nós. Como filhos de Nossa Senhora nós devemos terminar essa reflexão, rezando: “Salve Rainha Mãe de Misericórdia...!

(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, excertos de palestra de 2.3.1984 sem revisão do autor)


Vídeo: Salmo penitencial 50 Miserere Senhr Deus! Tende piedade de nós




Musicado pelo Pe. Gregorio Allegri (Roma, 1582 — Roma, 1652)



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 28 de janeiro de 2018

Anima Christi: uma oração dificilmente superável

Origem
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Esta famosa oração apareceu na primeira metade do século XIV e foi enriquecida com indulgências pelo Papa João XXII em 1330.

Não se tem certeza sobre a autoria, tal vez seja do próprio João XXII.

Entretanto, é geralmente atribuída a Santo Inácio de Loyola (1491-1556, muito posteior) pois o grande santo colocava-a sempre no início de seus “Exercícios Espirituais” e referia-se com freqüência a ela.

O texto mais antigo foi achado no British Museum de Londres datado de 1370.

Em Avignon, França, conserva-se um livo de orações do Cardeal Pedro de Luxemburgo falecido em 1387. Nele encontra-se o Anima Christi na forma que o rezamos hoje.

Esta oração era tão famosa no tempo de Santo Inácio que o santo a citava como sendo conhecida por todos. Cfr. verbete ANIMA CHRISTI, na Enciclopedia Católica (em inglês)

Ouça o Anima Christi cantado pelo Coro da TFP americana
Se seu email não toca corretamente a música CLIQUE AQUI


 Latim

Anima Christi, sanctifica me.
Corpus Christi, salve me.
Sanguis Christi, inebria me.
Aqua lateris Christi, lava me.
Passio Christi, conforta me.
O bone Iesu, exaudi me.
Intra tua vulnera absconde me.
Ne permittas me separari a te.
Ab hoste maligno defende me.
In hora mortis meae voca me.
Et iube me venire ad te,
ut cum Sanctis tuis laudem te
in saecula saeculorum.
Amen

Português

Alma de Cristo, santifica-me
Corpo de Cristo, salva-me
Sangue de Cristo, extasia-me
Água que vem de Cristo, lava-me
Paixão de Cristo, conforta-me
Ó bom Jesus, escuta-me
Entre tuas feridas, esconde-me
Não permitas que me separe de ti
E dos exércitos do maligno, defende-me
E na hora da Morte, chama-me
E deixa-me ir a ti
e com teus santos, te louvar
Pelos séculos dos séculos
Amém

Comentário

Talvez não haja entre todas as orações compostas por mente de homem, uma que supere o “Anima Christi”.

Em deliciosa intimidade, em confiante e terníssimo respeito, em clareza de sentido e esplêndida riqueza de substância, só conheço, que se lhe iguale, a Salve Rainha e “Memorare”.

Compõe-se o “Anima Christi” de doze súplicas que podemos dividir em duas parte bem distintas.

Nas sete primeiras, o fiel cristão considera o Corpo e Alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, aproxima-se dEle tão e tão de perto, que se tem a impressão de sentir o próprio calor do Corpo Divino, de tocar real e verdadeiramente nossos lábios penitentes, nas dulcíssimas chagas do Redentor.

Quando imagino São Francisco de Assis, na famosa visão em que o Crucificado o abraçou, imagino-o balbuciando em êxtase, uma a uma, as sete primeiras súplicas do Anima Christi, e não se fartando de as repetir durante todo o tempo que durou a glória e a doçura do divino amplexo.

Na segunda parte da prece, a alma já não está de pé, abraçada ao Redentor. Cessou o êxtase, e o fiel está ao pé da Cruz, exprimindo seus últimos e mais ardentes anelos numa humildade divina, como Maria, depois de se ter apartado a angélica visitação.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, Legionário, N.º 635, 8 de outubro de 1944)

O que quer dizer "Sangue de Cristo inebria-me"? A sagrada Comunhão, como Sangue de Cristo, dá-nos uma lucidez por onde a nossa alma fica levada muito além das realidades comuns.

Ao contrário da embriaguez do vinho que nos leva para um irreal de mentira, a embriaguez do Espírito Santo nos leva para o auge da posse da verdade, o auge do conhecimento da verdade revelada, da religião. Essa é a casta embriaguez do Espírito Santo.

“Aqua lateris Christi, lava me”: aquela água do lado de Cristo que correu por ocasião da Paixão dEle, que caia sobre nós para nos lavar.

Os senhores conhecem a piedosa tradição de que o centurião (Longinos) que perfurou Nosso Senhor era quase cego, tinha uma vista muito curta e que aquele Sangue jorrou, aquela água caiu sobre ele e curou-o da cegueira.

Que bonita coisa para pedir para nós:

“Eu sou quase cego para as coisas de Deus; eu ouço as coisas de Deus e não sei bem o que dizer a respeito delas, não as vejo bem.

“Meu Deus, que vosso sangue, a água do vosso lado, que está aqui, está em mim, que essa água de vosso lado caia sobre mim e que ela me tire as escamas de minha vista.

“Por Nossa Senhora eu vos peço, atendei a minha oração”.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, sem revisão do autor)



GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS
Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 14 de janeiro de 2018

Procissão do Preciosíssimo Sangue,
em Weingarten, Alemanha

O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
O sacerdote 'Cavaleiro do Sangue' leva a relíquia abençoando o povo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Todo ano se realiza a Blutritt [Procissão do Preciosíssimo Sangue].

É uma procissão a cavalo, em honra de uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Acontece na cidade de Weingarten, Baden-Württenberg, Alemanha, na 6ª feira após a Ascensão, ou Blutfreitag [Sexta-feira do Sangue].

A tradição manda que só os homens participem.

A Abadia de Weingarten conserva, há mais de 950 anos, uma relíquia do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ela é exposta uma vez ao ano na igreja do Mosteiro.

No dia da festa, um sacerdote ou ‘Cavaleiro do Sangue’ a leva pelas ruas da cidade.

É acompanhado por três mil cavalarianos, pertencentes a mais de cem grupos, em fraque e cartola.

Uma banda de 80 componentes desloca-se em torno ao Cavaleiro do Sangue.

A procissão é religiosa e civil. Romeiros de toda a Suábia Superior e da Baviera vêm à festa.

Esse Sangue foi colhido por São Longino após a cura de seu olho.

Relíquia do sangue de Nosso Senhor, Weingarten, Alemanha
Relíquia do sangue de Nosso Senhor, Weingarten, Alemanha
Longino foi o centurião romano que atravessou o lado de Nosso Senhor morto na Cruz.

Na hora de enfiar a lança no Sagrado Coração, saíram umas gotas que atingiram seus olhos e o curaram da cegueira.

Ele conservou esse Sangue, junto a uma porção de terra do Calvário, numa caixa de chumbo.

Batizado, partiu ele para Mântua, na Itália. Antes sofrer o martírio São Longino escondeu a caixa, e o local ficou esquecido.

No ano de 804, quando Carlos Magno imperava sobre o Ocidente, o local foi milagrosamente revelado ao cego Aldibero.

O cego se dirigiu ao duque de Mântua, ao Imperador e ao Papa.

Levado ao local da visão, a caixa foi encontrada e Aldibero recuperou a vista imediatamente.

Grande devoção passou a cercar a relíquia. O Papa São Leão III a venerou publicamente.

Porém, voltou a desaparecer durante as invasões húngaras e normandas.

Ela foi redescoberta em 1048, tendo sido solenemente reconhecida pelo Papa São Leão IX na presença do imperador Henrique III e muitos dignitários.

Judite, duquesa da Baviera, irmã do conde Balduíno V de Flandres e de Santa Adela da França, doou o relicário à abadia de Weingarten.

Ali, a relíquia é venerada há quase um milênio.

Ela está exposta numa capela ao lado da basílica de São Martinho.

A procissão nos campos, Blutfreitag, Weingarten, Alemanha.
A procissão nos campos, Blutfreitag, Weingarten, Alemanha.
A procissão a cavalo remonta à Idade Média. Porém, o primeiro escrito que faz menção dela, data de 1529.

As festas começam na missa da Ascensão, com uma procissão das velas até a vizinha cidade de Kreuzberg.

A procissão equestre inicia-se no dia seguinte, após a missa dos cavalarianos às 6 da manhã.

Fanfarras e coros também fazem a romaria.

A procissão percorre as ruas da cidade acompanhada por mais de trinta mil romeiros.

Ela se detém em quatro estações do caminho e termina a meio-dia diante da basílica.

Ali, a relíquia é venerada pelos fiéis durante a tarde toda.

História da abadia

A abadia beneditina de Weingarten foi fundada em 1056, por Guelfo I, duque da Baviera.

Os monges elaboraram famosas iluminuras de manuscritos, a mais famosa das quais é o Sacramentário de Berthold, de 1217.

Em 1274, o mosteiro ganhou estatuto de feudo independente de qualquer poder temporal, exceto do imperador.

Seu território era de 306 km2, incluindo muitas florestas e vinhedos.

Missal de Weingarten
Missal de Weingarten
A primeira igreja românica foi construída entre 1124 e 1182.

Entre 1715–24 foi substituída por uma maior, em estilo barroco, ricamente decorada.

Em 1803, a revolução anticristã se voltou contra o Sacro Império e aboliu os estados menores independentes, como Weingarten.

A abadia foi dissolvida e suas propriedades confiscadas pelo principado de Nassau-Orange-Fulda, e depois pelo reino de Würtemberg.

Naquela ocasião os riquíssimos relicários de ouro e pedras preciosas foram roubados de modo sem vergonha pelo laicismo rompante.

Em 1812, sob os efeitos revolucionários das invasões de Napoleão, a procissão foi proibida.

Mas retomou em 1849 e continua até agora.

Em 1922, a abadia de Weingarten foi refundada por monges beneditinos da arquiabadia de Beuron e da abadia de Erdington, Inglaterra.

Em 1940, o nazismo expulsou os monges, mas eles voltaram após o fim da guerra.

Os monges pertencem em parte ao rito romano e em parte ao rito bizantino.




Video: Procissão do Preciosíssimo Sangue de Cristo (Weingarten, Alemanha)






GLÓRIA CRUZADAS CASTELOS CATEDRAIS HEROIS CONTOS CIDADE SIMBOLOS

Voltar a 'Glória da Idade MédiaAS CRUZADASCASTELOS MEDIEVAISCATEDRAIS MEDIEVAISHERÓIS MEDIEVAISCONTOS E LENDAS DA ERA MEDIEVALA CIDADE MEDIEVALJOIAS E SIMBOLOS MEDIEVAIS

domingo, 17 de dezembro de 2017

Por que se celebra a noite de Natal com a “Missa do Galo”?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Nossa Senhora de Riom e o sorriso medieval

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Pode-se dizer que cada século ou era histórica tem um rosto ou uma expressão fisionômica e de alma que o diferencia dos demais.

E a Idade Média, na sua longa duração e na sua riquíssima variedade de eventos nunca perdeu um traço distintivo. E esse foi o sorriso.

E um sorriso leve e espiritual que só a Idade Média foi capaz de fazer e comunicar.

E nos difícil ver essa atitude de alma em nossos tempos.

Entretanto, ela ficou impresa em inúmeros testemunhos medievais.

Um desses é a estátua de “La Vierge à l’Oiseau” (Nossa Senhora com o Menino Jesus e Este com um pequeno pássaro), no exterior da igreja Nossa Senhora de Marthuret, em Riom (França).



“A primeira impressão que causa essa imagem é da relação de alma extraordinária entre os dois (o Menino Jesus e Nossa Senhora), de maneira tal que mais do que fotografar só uma alma, se fotografa as duas.

O que está extraordinariamente bem apanhado na escultura, é esta relação de alma entre os dois.

Relação de alma que tem isso de extraordinário que pega um desses momentos de familiaridade entre Mãe e Filho, em que a mãe brinca um pouquinho com o filho e este brinca um pouco com a mãe.

Sem o que a relação mãe e filho não pode ser compreendida.

Se ela nunca desfechasse num sorriso e numa brincadeira, não seria possível haver relação mãe-filho.

Por que razão?

Porque o Menino tem qualquer coisa de débil que faz sorrir a Mãe.

Mas, por outro lado, a debilidade dEle pede que a Mãe apareça, para estar na proporção dEle, de vez em quando sorrindo.

domingo, 19 de novembro de 2017

São Remígio e o bispo pecador

São Remígio com o rei Clóvis
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Muito tempo depois, Guénebauld, homem de grande prudência, que tinha casado com a sobrinha de São Remi, de acordo com a mulher, decidiram separar suas vidas para entrar em religião.

Guénebauld foi sagrado bispo de Laon por São Remi.

Porém, como Guénebauld permitia que sua mulher o visitasse com muita frequência para receber dele ensinamentos, nesses encontros seu espírito deixou-se inflamar pela concupiscência e os dois caíram no pecado.

domingo, 5 de novembro de 2017

Milagres de São Remígio na conversão da França

São Remi, basílica de Reims
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O nome Remígio vem de remi que significa apaziguando e gios, terra, no sentido de apaziguando os habitantes da terra.

Também pode se dizer que Remígio vem de remi, pasto, e gyon combate, quer dizer o pastor que combate.

Ele nutriu seu rebanho com a palavra de pregação, com o exemplo da conversão e com os sufrágios de sua oração.

Há três tipos de armas: as defensivas como o escudo, as ofensivas como a espada e as protetoras como a couraça ou o elmo.

Ele lutou, pois contra o diabo com o escudo da fé, a espada da palavra de Deus e a armadura da esperança.

Sua vida foi escrita por Hincmar, arcebispo de Reims.

A nascença de Remi, doutor ilustre e confessor glorioso do Senhor, foi predita por um ermitão, da maneira seguinte:

Os vândalos devastavam toda a França, e um santo recluso e cego elevava frequentes prezes ao Senhor pela paz da Igreja francesa, quando um anjo lhe apareceu e disse:

“Sabei que a mulher chamada Cilinie dará a luz um filho de nome Remi; ele libertará seu país da incursão dos ruins”.